Tudo até aqui

agosto 18, 2010

Eu nunca te obriguei a me ouvir falar. Nunca pedi e nem cobrei nada de você. Os dias em que passamos horas rindo e imaginando nossos casamentos, ou nossas viagens juntas para o exterior foram do desejo de ambas. Quando precisei de um conselho teu, nem pedi, você se manifestou como se já soubesse o que tinha ocorrido. E as nossas saídas, nossas farras… bom, você quem me convidava e fazia questão de me ter por perto.

Eu nunca te obriguei a estar comigo. Você simplesmente o fez, e eu apenas retribuí de maneira singela e verdadeira. Quando te vi chorar, senti na mesma hora um nó na garganta tão apertado que me lacrimejava os olhos de tanta comoção. E por falar em comoção, me preocupei tanto com você! Teu silêncio sempre tão penoso, me doía a alma pensar que de fato, eu não podia fazer nada por ti. Sempre sabia (a contrário de todos) quando esondia apuros por trás de teus sorrisos eloquentes. Eu quis te ajudar, prometi que tu nunca se sentiria sozinha enquanto eu ainda estivesse aqui e cumpri minha promessa a cada minuto que tivemos juntas até aqui.

Eu nunca te obriguei a fazer parte do que sou hoje. Nunca precisei mesmo de você. Sempre tive outras opções… só que pra mim tu não era uma opção!  Se estive ao teu lado todo esse tempo, é porque aprendi a gostar você! Fiz novas amizades, acabei com antigas também. Amigos são como ondas, vem e vão o tempo todo. Você foi apenas uma exceção. Alguém que eu quis ter ao meu lado. Sem razão, sem causa, sem grandes motivos. Eu simplesmente aprendi que a vida é feita de pessoas e de momentos, bons ou ruins, que acontecem até sem perceber. Aprendi, com você, que devemos dar o devido valor à tudo, aos bons e aos momentos ruins. Não nego, você fez parte de um dos bons. E marcou a minha vida, do seu jeito. Rebelde, mesquinha, brava, com defeitos e qualidades que te fez diferente e me fez alguém melhor.

Eu nunca te obriguei a ser o que tu é. Você quis assim e eu só acompanhei, de longe, os teus passos. Não lamento o fim, nem imploro por um novo começo. Os pontos finais podem ser trocados por vírgulas o tempo todo, só depende do escritor.


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